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A Federação da Indústria
Têxtil e de Vestuário de Portugal (FITVEP) rejeitou hoje
terminantemente que a importação de mão-de-obra chinesa para o
pólo empresarial a criar em Beja resulte da indisponibilidade de
operários portugueses.
"Num país como o nosso, em que se regista o maior nível
de desemprego de sempre no sector têxtil, não acredito que haja
qualquer dificuldade em encontrar mão-de-obra portuguesa
especializada e disponível", afirmou o presidente da FITVEP,
José Robalo.
Garantindo que não faltarão candidatos portugueses
dispostos a preencher vagas na indústria têxtil, dados os
números sem precedentes de desemprego no sector, José Robalo
acrescentou que, mesmo que não os houvesse, existem em Portugal
centros protocolares de formação do Estado que "rapidamente
formariam mão-de-obra" para o efeito.
Segundo o presidente da FITVEP, a anunciada decisão de
instalação em Portugal de um pólo empresarial com unidades
chinesas não passa de uma "tentativa para branquear" a
verdadeira origem dos produtos.
"Muita gente já não quer, nem de borla, produtos chineses,
por não querer compactuar com os atentados aos direitos humanos
que se sabe serem praticados na China", explicou.
Ao abrirem fábricas em Portugal, "nem que seja só para cá pôr
um botão", os produtos chineses podem sair para o mercado com a
etiqueta 'made in UE' (feito na União Europeia), contornando
assim as reservas de muitos consumidores.
"Não passa de mais uma forma de alguns produtores chineses
virem para a Europa para branquear os seus produtos", concluiu.
A AICCP revelou recentemente querer criar, junto ao futuro
aeroporto de Beja, um parque empresarial dotado de condições
para se transformar numa plataforma logística para abastecimento
e distribuição de produtos chineses destinados à Europa.
Além da plataforma logística, a AICCP pretende também
instalar no parque, com uma extensão superior a 100 hectares,
fábricas de produtos de empresas chinesas e que se destinam à
comercialização no mercado europeu.
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