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Governo desconhece projecto instalação de fábricas têxteis chinesas

09/03/07

 

       O Governo disse hoje desconhecer o protocolo para instalação de fábricas chinesas do sector têxtil no pólo empresarial a criar em Beja, que contará com a importação de mão- de-obra chinesa.

     O porta-voz do ministério da Economia afirmou que o Governo desconhece o protocolo estabelecido entre a Associação da Indústria e do Comércio de Chineses em Portugal (AICCP) e a câmara municipal de Beja e garantiu que não existem apoios para este tipo de investimento.

     A reacção do ministério tutelado por Manuel Pinho surge depois de, na terça-feira, a Federação da Indústria Têxtil e de Vestuário de Portugal (FITVEP) ter anunciado que pediu uma audiência "com carácter de urgência" ao Governo para saber se este permitia e apoiava a instalação de fábricas chinesas em Beja "com mão de obra chinesa importada, beneficiando, porventura, de apoios e subsídios do Governo".

     A carta que solicitava o pedido de audiência já foi recebida e a FITVEP será ouvida pelo ministério "assim que possível", afirmou o porta-voz do ministério da Economia.

    No entanto, a mesma fonte informou que o ministério nada pode fazer nada para evitar que o protocolo se torne uma realidade, uma vez que as empresas são livres de se constituírem.

    O presidente da AICCP, Y Ping Chow, confirmou na quinta- feira que a instalação de empresas têxteis em Beja implica a contratação de mão-de-obra chinesa devido à "dificuldade na contratação de operários têxteis portugueses".
 
    Por seu turno, o presidente da FITVEP, José Robalo, rejeitou que a importação de mão-de-obra chinesa resulte da indisponibilidade de operários portugueses.

    "Num país como o nosso, em que se regista o maior nível de desemprego de sempre no sector têxtil, não acredito que haja qualquer dificuldade em encontrar mão-de-obra portuguesa especializada e disponível", disse José Robalo, garantindo que não houve qualquer tentativa por parte das empresas chinesas para contratar trabalhadores portugueses.

    Entretanto, o presidente da câmara municipal de Beja admitiu denunciar o protocolo depois de saber que o pólo empresarial a criar na cidade contaria com a importação de mão-de-obra chinesa.

    "Não iremos admitir que uma empresa se instale em Beja só com mão-de-obra importada", disse Francisco Santos, que considera "imprescindível" a existência de uma componente de mão-de-obra nacional.
 

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