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O Governo disse hoje
desconhecer o protocolo para instalação de fábricas chinesas do
sector têxtil no pólo empresarial a criar em Beja, que contará
com a importação de mão- de-obra chinesa.
O porta-voz do ministério da Economia afirmou que o
Governo desconhece o protocolo estabelecido entre a Associação
da Indústria e do Comércio de Chineses em Portugal (AICCP) e a
câmara municipal de Beja e garantiu que não existem apoios para
este tipo de investimento.
A reacção do ministério tutelado por Manuel Pinho surge
depois de, na terça-feira, a Federação da Indústria Têxtil e de
Vestuário de Portugal (FITVEP) ter anunciado que pediu uma
audiência "com carácter de urgência" ao Governo para saber se
este permitia e apoiava a instalação de fábricas chinesas em
Beja "com mão de obra chinesa importada, beneficiando,
porventura, de apoios e subsídios do Governo".
A carta que solicitava o pedido de audiência já foi
recebida e a FITVEP será ouvida pelo ministério "assim que
possível", afirmou o porta-voz do ministério da Economia.
No entanto, a mesma fonte informou que o ministério nada pode
fazer nada para evitar que o protocolo se torne uma realidade,
uma vez que as empresas são livres de se constituírem.
O presidente da AICCP, Y Ping Chow, confirmou na quinta-
feira que a instalação de empresas têxteis em Beja implica a
contratação de mão-de-obra chinesa devido à "dificuldade na
contratação de operários têxteis portugueses".
Por seu turno, o presidente da FITVEP, José Robalo, rejeitou
que a importação de mão-de-obra chinesa resulte da
indisponibilidade de operários portugueses.
"Num país como o nosso, em que se regista o maior nível de
desemprego de sempre no sector têxtil, não acredito que haja
qualquer dificuldade em encontrar mão-de-obra portuguesa
especializada e disponível", disse José Robalo, garantindo que
não houve qualquer tentativa por parte das empresas chinesas
para contratar trabalhadores portugueses.
Entretanto, o presidente da câmara municipal de Beja admitiu
denunciar o protocolo depois de saber que o pólo empresarial a
criar na cidade contaria com a importação de mão-de-obra
chinesa.
"Não iremos admitir que uma empresa se instale em Beja só com
mão-de-obra importada", disse Francisco Santos, que considera
"imprescindível" a existência de uma componente de mão-de-obra
nacional.
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