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Beja guarda clone de árvore do tempo dos dinossáurios

12/03/07

 

    Quem olha para um singelo pinheiro num vaso na Escola Superior Agrária de Beja (ESAB) não imagina que contempla um autêntico tesouro vegetal do tempo dos dinossáurios, que os botânicos julgavam extinto há dois milhões de anos.

    Única na Península Ibérica e uma das poucas na Europa, a arvore é um dos clones reproduzidos a partir dos cerca de cem exemplares selvagens de pinheiro-wollemi, um fóssil vivo que foi descoberto, por acaso, na Austrália, em 1994.

    O clone de uma das mais antigas e raras árvores do planeta, da qual existem registos fósseis com 90 milhões de anos, vive no Museu Botânico da ESAB desde Outubro de 2005, quando foi adquirido no primeiro leilão de plantas promovido pela sociedade de vendas Sotheby's.

    Desde então, a presença do clone em Beja foi discreta, tornando-se pública, no final de 2006, com a edição do livro "O Pinheiro-Wollemi e o Retorno da Fénix", da autoria do botânico Luís Carvalho e da bióloga Francisca Maria Fernandes.

    Com 79 páginas, o livro, ao longo de 39 perguntas e respostas, desvenda a história e as curiosidades à volta do pinheiro, contando como foi descoberto e chegou até Beja.

    Tudo começou em Setembro de 1994, quando um guarda-florestal encontrou, num vale nunca antes explorado no Parque Nacional de Wollemi, a 200 quilómetros de Sydney, um pequeno bosque de árvores gigantes que não reconheceu e das quais, intrigado, recolheu alguns ramos.

    Uma equipa do Jardim Botânico de Sydney analisou os ramos e confirmou, mais tarde, tratar-se de um fóssil vivo de pinheiro-wollemi, que Luís Carvalho considerou "o achado botânico mais importante do século XX".
Só investigadores autorizados pelo governo australiano podem visitar os locais, viajando de helicóptero e olhos vendados, e os visitantes não autorizados estão sujeitos a pesadas multas e a penas de prisão até dois anos.

     Além deste controlo, para proteger os pinheiros selvagens do interesse de coleccionadores, obter verbas para projectos de conservação e assegurar a disseminação da espécie, o governo australiano implementou um programa que resultou na reprodução de milhares de clones a partir do núcleo de cem exemplares.

    Os primeiros 148 clones foram comercializados em Outubro de 2005, num leilão da Sotheby's, em Sydney, no qual o Museu Botânico da ESAB adquiriu um exemplar.

    Admitindo como "provável" o repovoamento da árvore, Luís Carvalho destacou os usos potenciais do Pinheiro- Wollemi, frisando que contêm um composto químico (taxol) utilizado no tratamento de algumas formas de cancro da mama e dos ovários.

   O pinheiro pode ainda ser utilizado como árvore ornamental, em parques, jardins e, mesmo, em habitações, já que estudos recentes mostraram que ajuda a remover alguns agentes que contaminam o ar no interior dos edifícios.

    O clone do pinheiro-wollemi, considerado um dos maiores tesouros vegetais da Terra, adiantou Luís Carvalho, será a "estrela" da próxima exposição do Museu Botânico, que a partir de Abril vai revelar exemplares e desvendar curiosidades de fósseis de botânica e zoologia.
 

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