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Quem olha para um singelo pinheiro num vaso
na Escola Superior Agrária de Beja (ESAB) não imagina que
contempla um autêntico tesouro vegetal do tempo dos
dinossáurios, que os botânicos julgavam extinto há dois milhões
de anos.
Única na Península Ibérica e uma das poucas na Europa, a
arvore é um dos clones reproduzidos a partir dos cerca de cem
exemplares selvagens de pinheiro-wollemi, um fóssil vivo que foi
descoberto, por acaso, na Austrália, em 1994.
O clone de uma das mais antigas e raras árvores do planeta,
da qual existem registos fósseis com 90 milhões de anos, vive no
Museu Botânico da ESAB desde Outubro de 2005, quando foi
adquirido no primeiro leilão de plantas promovido pela sociedade
de vendas Sotheby's.
Desde então, a presença do clone em Beja foi discreta,
tornando-se pública, no final de 2006, com a edição do livro "O
Pinheiro-Wollemi e o Retorno da Fénix", da autoria do botânico
Luís Carvalho e da bióloga Francisca Maria Fernandes.
Com 79 páginas, o livro, ao longo de 39 perguntas e
respostas, desvenda a história e as curiosidades à volta do
pinheiro, contando como foi descoberto e chegou até Beja.
Tudo começou em Setembro de 1994, quando um guarda-florestal
encontrou, num vale nunca antes explorado no Parque Nacional de
Wollemi, a 200 quilómetros de Sydney, um pequeno bosque de
árvores gigantes que não reconheceu e das quais, intrigado,
recolheu alguns ramos.
Uma equipa do Jardim Botânico de Sydney analisou os ramos e
confirmou, mais tarde, tratar-se de um fóssil vivo de
pinheiro-wollemi, que Luís Carvalho considerou "o achado
botânico mais importante do século XX".
Só investigadores autorizados pelo governo australiano podem
visitar os locais, viajando de helicóptero e olhos vendados, e
os visitantes não autorizados estão sujeitos a pesadas multas e
a penas de prisão até dois anos.
Além deste controlo, para proteger os pinheiros
selvagens do interesse de coleccionadores, obter verbas para
projectos de conservação e assegurar a disseminação da espécie,
o governo australiano implementou um programa que resultou na
reprodução de milhares de clones a partir do núcleo de cem
exemplares.
Os primeiros 148 clones foram comercializados em Outubro de
2005, num leilão da Sotheby's, em Sydney, no qual o Museu
Botânico da ESAB adquiriu um exemplar.
Admitindo como "provável" o repovoamento da árvore, Luís
Carvalho destacou os usos potenciais do Pinheiro- Wollemi,
frisando que contêm um composto químico (taxol) utilizado no
tratamento de algumas formas de cancro da mama e dos ovários.
O pinheiro pode ainda ser utilizado como árvore ornamental, em
parques, jardins e, mesmo, em habitações, já que estudos
recentes mostraram que ajuda a remover alguns agentes que
contaminam o ar no interior dos edifícios.
O clone do pinheiro-wollemi, considerado um dos maiores
tesouros vegetais da Terra, adiantou Luís Carvalho, será a
"estrela" da próxima exposição do Museu Botânico, que a partir
de Abril vai revelar exemplares e desvendar curiosidades de
fósseis de botânica e zoologia.
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