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A ministra da Cultura, Isabel Pires de
Lima, considerou ontem uma "prioridade" a recuperação
patrimonial do Convento da Saudação, em Montemor-o-Novo, que
poderá vir a acolher um centro nacional de artes
transdisciplinares liderado pelo coreógrafo Rui Horta.
Nesta sua primeira visita ao Convento da Saudação, considera “um
desafio, sobretudo para quem, como o Ministério da Cultura,
trabalha na área da salvaguarda e defesa do património", disse,
reconhecendo o "avançado estado de degradação" do imóvel.
O Convento de Nossa Senhora da Saudação, classificado como
Monumento Nacional, data do século XVI e pertenceu à Ordem
Dominicana, acolhendo sempre grande número de religiosas, até
que, no século XIX, foi ocupado pelo Estado, que aí instalou um
asilo que aí permaneceu até aos anos 60 do século XX.
Nos últimos anos, o imóvel foi apenas alvo de obras pontuais, tanto
por parte da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais
(DGEMN), como da Câmara Municipal, e presentemente acolhe a
associação O Espaço do Tempo, do coreógrafo Rui Horta, que
acolhe criadores nacionais e estrangeiros, e a oficina de
Arqueologia da autarquia.
O trabalho de recuperação, segundo Isabel Pires de Lima, é
"pesado", em termos "financeiros" e de "intervenção física", e,
apesar da "grande contenção orçamental" do Ministério que
tutela, as obras são para avançar, beneficiando do novo período
de fundos comunitários.
"Estou impressionada com a dimensão da riqueza patrimonial e com o
estado de degradação, principalmente das zonas mais ricas, como
a capela, os dois coros, a entrada do convento. São, de facto,
zonas que precisam de uma intervenção muito urgente", disse.
Por isso, acrescentou, o Convento da Saudação, a par de outros dois
importantes conventos nacionais, o de Cristo e o de Jesus, fazem
parte das "prioridades" do Ministério da Cultura, relativamente
à área de salvaguarda patrimonial.
Para já, revelou, vai avançar, "ainda este ano", uma primeira
intervenção no convento, mais precisamente na capela, que
incluíra trabalhos ao nível da cobertura, do reboco e da
caixilharia.
"É a intervenção possível, neste momento, mas temos de analisar
como é que, no âmbito do Quadro de Referência Estratégico
Nacional (QREN) que está prestes a iniciar-se, podemos integrar
este projecto nos apoios comunitários, nas vertentes patrimonial
e de criação artística", sublinhou.
Sempre acompanhada pelo coreógrafo Rui Horta, assim como pelo
presidente da Câmara Municipal, Carlos Pinto de Sá, e pelos
responsáveis das delegações regionais do Alentejo tuteladas pelo
seu Ministério, Isabel Pires de Lima percorreu, demoradamente,
as várias divisões do convento que O Espaço do Tempo utiliza
para as suas actividades de criação artística.
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