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A Câmara Municipal do Montijo tomou ontem uma
posição contra a possibilidade de o novo aeroporto de Lisboa ser
construído na Margem Sul.
Em comunicado, a presidente da autarquia Maria Amélia
Antunes, eleita pelo Partido Socialista, considera que as
reservas naturais dos estuários do Tejo e do Sado, a enorme
mancha de montado de sobro na região, as áreas agrícolas
protegidas, a reserva ecológica nacional e a rede Natura 2000
"são razões mais do que suficientes para rejeitarmos a
construção do novo aeroporto nos diversos locais apontados para
a Margem Sul do Tejo".
A herdade das Faias, numa área contígua a Rio Frio no
concelho do Montijo, foi uma das alternativas propostas esta
semana por um grupo de especialistas que contesta a decisão do
Governo de avançar com o aeroporto na Ota sem estudar outras
opções, ideia já recusada pelo ministro Mário Lino.
A autarca sublinha que as diversas localizações na Margem Sul
do Tejo constituem locais de enorme importância ecológica e
económica e refere que a freguesia das Faias é a zona mais rica
do concelho em matéria de captação de água. A Câmara do Montijo,
em cujo concelho ficava Rio Frio, o local preterido em 1999 pela
Ota, apoia a decisão do Governo também socialista nesta matéria.
Já a presidente da Câmara de Palmela tem uma reacção de
abertura em relação ao Poceirão, a outra alternativa proposta
pelo consultor de transportes José Manuel Viegas, que lidera um
conjunto de especialistas que defende a reanálise de opções à
Ota.
Ana Teresa Vicente, eleita pela CDU, defende mesmo que
o novo aeroporto na Margem Sul. "Acho pouco razoável que se
equacione o novo aeroporto longe das infra-estruturas como a
terceira travessia do Tejo, a linha de alta velocidade para
Madrid e a plataforma logística do Poceirão." Quanto à
possibilidade de a estrutura vir para o Poceirão, a autarca
admite que não lhe agradam os impactos negativos de um aeroporto
que iriam para sempre mudar as características rurais que o
concelho ainda preserva, embora reconheça os benefícios
económicos e sociais daí resultantes. De qualquer modo, realça,
esta decisão não pode ser tomada em função de interesse
específico de Palmela, mas sim de uma óptica nacional.
Também a autarca do Montijo realça que não são os
exclusivos interesses económicos locais que justificam a
rejeição do aeroporto, mas sim preocupações nacionais com o
aquífero subterrâneo da península de Setúbal, o montado de sobro
e reservas naturais.
As duas autarquias pediram já informação aos promotores dos
estudos sobre as alternativas para precisar a área e os terrenos
específicos que estão a ser apresentados como opções mais
baratas, mais próximas de Lisboa e de infra-estruturas de
transporte e mais rápidas de executar pelo facto de serem zonas
planas.
O Poceirão é uma extensa área plana que fica a poucos
quilómetros de Rio Frio na direcção Leste, situada 40 a 50
quilómetros de Lisboa. Com pouco mais de três mil habitantes,
esta freguesia é constituída por grandes propriedades, uma das
quais do Banco Espírito Santo, onde está prevista a instalação
da plataforma logística do Poceirão, um projecto da Mota-Engil.
A ocupação predominante é a agroflorestal. As Faias são uma área
predominantemente rural mais perto da reserva do Estuário do
Tejo, mas ainda fora daquele corredor verde.
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