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Câmara do Montijo contra construção do novo aeroporto de Lisboa na Margem Sul

29/03/07

 

    A Câmara Municipal do Montijo tomou ontem uma posição contra a possibilidade de o novo aeroporto de Lisboa ser construído na Margem Sul.

    Em comunicado, a presidente da autarquia Maria Amélia Antunes, eleita pelo Partido Socialista, considera que as reservas naturais dos estuários do Tejo e do Sado, a enorme mancha de montado de sobro na região, as áreas agrícolas protegidas, a reserva ecológica nacional e a rede Natura 2000 "são razões mais do que suficientes para rejeitarmos a construção do novo aeroporto nos diversos locais apontados para a Margem Sul do Tejo".

    A herdade das Faias, numa área contígua a Rio Frio no concelho do Montijo, foi uma das alternativas propostas esta semana por um grupo de especialistas que contesta a decisão do Governo de avançar com o aeroporto na Ota sem estudar outras opções, ideia já recusada pelo ministro Mário Lino.

    A autarca sublinha que as diversas localizações na Margem Sul do Tejo constituem locais de enorme importância ecológica e económica e refere que a freguesia das Faias é a zona mais rica do concelho em matéria de captação de água. A Câmara do Montijo, em cujo concelho ficava Rio Frio, o local preterido em 1999 pela Ota, apoia a decisão do Governo também socialista nesta matéria.

     Já a presidente da Câmara de Palmela tem uma reacção de abertura em relação ao Poceirão, a outra alternativa proposta pelo consultor de transportes José Manuel Viegas, que lidera um conjunto de especialistas que defende a reanálise de opções à Ota.

     Ana Teresa Vicente, eleita pela CDU, defende mesmo que o novo aeroporto na Margem Sul. "Acho pouco razoável que se equacione o novo aeroporto longe das infra-estruturas como a terceira travessia do Tejo, a linha de alta velocidade para Madrid e a plataforma logística do Poceirão." Quanto à possibilidade de a estrutura vir para o Poceirão, a autarca admite que não lhe agradam os impactos negativos de um aeroporto que iriam para sempre mudar as características rurais que o concelho ainda preserva, embora reconheça os benefícios económicos e sociais daí resultantes. De qualquer modo, realça, esta decisão não pode ser tomada em função de interesse específico de Palmela, mas sim de uma óptica nacional.

     Também a autarca do Montijo realça que não são os exclusivos interesses económicos locais que justificam a rejeição do aeroporto, mas sim preocupações nacionais com o aquífero subterrâneo da península de Setúbal, o montado de sobro e reservas naturais.

    As duas autarquias pediram já informação aos promotores dos estudos sobre as alternativas para precisar a área e os terrenos específicos que estão a ser apresentados como opções mais baratas, mais próximas de Lisboa e de infra-estruturas de transporte e mais rápidas de executar pelo facto de serem zonas planas.

    O Poceirão é uma extensa área plana que fica a poucos quilómetros de Rio Frio na direcção Leste, situada 40 a 50 quilómetros de Lisboa. Com pouco mais de três mil habitantes, esta freguesia é constituída por grandes propriedades, uma das quais do Banco Espírito Santo, onde está prevista a instalação da plataforma logística do Poceirão, um projecto da Mota-Engil. A ocupação predominante é a agroflorestal. As Faias são uma área predominantemente rural mais perto da reserva do Estuário do Tejo, mas ainda fora daquele corredor verde.
 

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