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A Inspecção-Geral da Saúde está a
analisar o nascimento de uma criança numa ambulância a caminho
de Setúbal, cujo pai acusa o Hospital do Litoral Alentejano de
recusar o atendimento da mulher, disse fonte do gabinete do
ministro da Saúde.
A queixa, registada no Livro de Reclamações do Hospital
do Litoral Alentejano (HLA), partiu do pai da criança, um
ex-bombeiro de Santiago do Cacém que auxiliou o parto do próprio
filho na ambulância.
Pedro, o segundo filho de Octávio Costa, 36 anos, e Fernanda
Costa, de 38 anos, nasceu no passado dia 3 numa ambulância, à
beira da estrada (IC-33) que liga Santiago do Cacém a Grândola,
mas o pai confessa ter vivido um misto de sentimentos.
«Fiquei muito contente, por estar a ajudar a minha mulher e o
meu filho, mas, ao mesmo tempo, senti uma grande tristeza e
revolta, por causa de tudo se ter passado desta forma», relatou.
Com 41 centímetros e pouco mais de dois quilos de peso, o
bebé «adiantou-se» e quis conhecer a «luz do dia» às 37 semanas
de gestação, cerca de três semanas antes do esperado.
Nesse dia, segundo o marido, Fernanda estava em casa
com a filha mais velha, de seis anos, quando sentiu os primeiros
sinais de que o parto se aproximava.
Perante nova insistência, a parturiente foi recebida
pela médica que, segundo o antigo bombeiro, lhe «indicou
novamente que seguisse para a maternidade» do Hospital de São
Bernardo, em Setúbal.
«Saímos do Hospital às 12:01, às 12:16 estávamos a parar a
ambulância perto da Serra de Grândola para o bebé nascer»,
contou Octávio Costa que, na altura, se viu forçado a ajudar o
bombeiro que seguia na ambulância no nascimento do próprio
filho.
Um trabalho de parteiro improvisado que já tinha
desempenhado, inclusive, nos seus antigos tempos de bombeiro,
quando realizou dois partos: «Até tenho alguma formação nessa
matéria, recebida em acções do INEM».
O antigo bombeiro não esconde a sua «revolta» e lamenta ainda
que a esposa «apenas tenha sido cosida duas horas depois do bebé
nascer», na mesma altura em que o recém-nascido foi observado
por um pediatra.
«Tivemos de parar no centro de Saúde de Grândola depois do
parto, mas eles [mãe e filho] só puderam ser atendidos como deve
ser em Setúbal», frisou.
De acordo com fonte do gabinete de António Correia de Campos,
o Hospital do Litoral Alentejano respondeu hoje à queixa de
Octávio Costa.
Esta informação foi enviada à Inspecção-Geral da Saúde
(IGS) que pediu ainda elementos ao Hospital de Setúbal.
Actualmente, a IGS está a analisar a situação para definir
que procedimentos vai em seguida a adoptar. Para já, não foi
instaurado qualquer processo disciplinar.
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