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Nascimento numa ambulância vai ser analisado

11/04/07

 

      A Inspecção-Geral da Saúde está a analisar o nascimento de uma criança numa ambulância a caminho de Setúbal, cujo pai acusa o Hospital do Litoral Alentejano de recusar o atendimento da mulher, disse fonte do gabinete do ministro da Saúde.

     A queixa, registada no Livro de Reclamações do Hospital do Litoral Alentejano (HLA), partiu do pai da criança, um ex-bombeiro de Santiago do Cacém que auxiliou o parto do próprio filho na ambulância.

    Pedro, o segundo filho de Octávio Costa, 36 anos, e Fernanda Costa, de 38 anos, nasceu no passado dia 3 numa ambulância, à beira da estrada (IC-33) que liga Santiago do Cacém a Grândola, mas o pai confessa ter vivido um misto de sentimentos.

    «Fiquei muito contente, por estar a ajudar a minha mulher e o meu filho, mas, ao mesmo tempo, senti uma grande tristeza e revolta, por causa de tudo se ter passado desta forma», relatou.

    Com 41 centímetros e pouco mais de dois quilos de peso, o bebé «adiantou-se» e quis conhecer a «luz do dia» às 37 semanas de gestação, cerca de três semanas antes do esperado.

     Nesse dia, segundo o marido, Fernanda estava em casa com a filha mais velha, de seis anos, quando sentiu os primeiros sinais de que o parto se aproximava.

     Perante nova insistência, a parturiente foi recebida pela médica que, segundo o antigo bombeiro, lhe «indicou novamente que seguisse para a maternidade» do Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

   «Saímos do Hospital às 12:01, às 12:16 estávamos a parar a ambulância perto da Serra de Grândola para o bebé nascer», contou Octávio Costa que, na altura, se viu forçado a ajudar o bombeiro que seguia na ambulância no nascimento do próprio filho.

    Um trabalho de parteiro improvisado que já tinha desempenhado, inclusive, nos seus antigos tempos de bombeiro, quando realizou dois partos: «Até tenho alguma formação nessa matéria, recebida em acções do INEM».

    O antigo bombeiro não esconde a sua «revolta» e lamenta ainda que a esposa «apenas tenha sido cosida duas horas depois do bebé nascer», na mesma altura em que o recém-nascido foi observado por um pediatra.

    «Tivemos de parar no centro de Saúde de Grândola depois do parto, mas eles [mãe e filho] só puderam ser atendidos como deve ser em Setúbal», frisou.

    De acordo com fonte do gabinete de António Correia de Campos, o Hospital do Litoral Alentejano respondeu hoje à queixa de Octávio Costa.

     Esta informação foi enviada à Inspecção-Geral da Saúde (IGS) que pediu ainda elementos ao Hospital de Setúbal.

    Actualmente, a IGS está a analisar a situação para definir que procedimentos vai em seguida a adoptar. Para já, não foi instaurado qualquer processo disciplinar.
 

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