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Sargento com pena suspensa no caso do homicídio em perseguição

12/04/07

 

      O sargento da GNR de Coruche, João Nunes, que em 2005 matou a tiro um jovem de 24 anos numa perseguição automóvel que terminou em Montemor-o-Novo, foi ontem condenando pelo tribunal desta cidade a um ano de prisão, suspenso por três anos, e ao pagamento de uma indemnização de 15 mil euros aos familiares da vítima.

   Na leitura da sentença, a presidente do colectivo de juízes condenou o militar por homicídio negligente, mas aplicou uma pena leve por não ter ficado provada intenção de matar o jovem, de etnia cigana.

   Segundo os testemunhos do sargento, que prestou serviço no Iraque e em Timor, e dos militares que estiveram envolvidos na perseguição de 90 quilómetros desde Santarém a Montemor, o disparo foi em direcção ao ar, mas acabou por acertar no fugitivo, devido ao declive do terreno e ao facto de o sargento nunca ter disparado com a arma que utilizava naquele serviço.

   Apesar das atenuantes – levadas em conta pelo tribunal – o sargento não deixou de ouvir algumas críticas sobre a sua actuação. De acordo com a juiz, um militar deve disparar para intimidar, mas neste caso não agiu com esse cuidado. Segundo a presidente do colectivo, o sargento devia ter observado o terreno e disparado para o ar, uma vez que “é seu dever minimizar ao máximo os riscos para a vida humana”.

   No final da leitura da sentença, fortemente contestada por quatro familiares da vítima, o advogado de acusação, André Barbosa, disse que vai analisar o acórdão para decidir se irá avançar com um recurso. “Se os militares têm armas e não as sabem utilizar, não as utilizem. Não concordo com esta decisão”, referiu.

   Vivaldo Palminha, advogado do sargento, ficou agradado com o facto de o tribunal ter “feito justiça”, uma vez que o sargento “não tinha intenção de matar”.
 

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