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A associação ambientalista
Quercus considerou ontem "despropositada" a abertura da Lagoa de
Melides (Grândola) ao mar, prevista para a tarde de terça-feira,
alertando que a operação poderá conduzir à morte de centenas de
aves aquáticas.
"A abertura da lagoa ao mar nesta altura do ano vai
prejudicar a nidificação de muitas aves, sobretudo galeirões,
cujos ninhos ficarão estragados com a diminuição do nível da
água", explicou à agência Lusa o presidente do Núcleo Regional
do Litoral Alentejano da Quercus, Dário Cardador.
Aquela espécie cinegética reproduz-se habitualmente
nesta altura do ano, construindo os ninhos junto à linha de água
da Lagoa de Melides, coberta pela Rede Natura.
A abertura da lagoa ao mar, programada pela Comissão de
Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA),
mediante parecer vinculativo do Instituto da Conservação da
Natureza (ICN), está marcada para o final da tarde de
terça-feira.
A associação ambientalista critica a decisão, alegando
que este ano "a lagoa já esteve aberta ao mar na devida altura,
em Março, o que aconteceu de forma natural".
A medida, na opinião da Quercus, estará associada aos
interesses dos agricultores da zona que produzem arroz e "que
semeiam demasiado perto da lagoa".
"Devia estabelecer-se um limite para a produção de arroz,
conforme temos vindo a alertar desde há mais de uma década",
apontou Dário Cardador.
"Esta abertura vai ser despropositada, porque já houve a
renovação da água da lagoa, com a sua abertura natural", vincou
o ambientalista, alertando para o risco de "favorecimento de um
desastre ambiental".
"O que vai acontecer é que a lagoa vai ficar com menos
água, porque nesta altura o seu nível está superior ao do mar e
porque a água vai ser retirada para os arrozais", disse.
"Depois, daqui a um mês ou dois vamos ter outro desastre
ecológico, com uma grande mortandade de peixes, por causa da
falta de água", alertou.
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