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Município concede apoios ao segundo filho para aumentar natalidade

17/04/07

 

      Os casais de Mértola, com baixos rendimentos, que optarem pelo segundo filho vão dispor de subsídios mensais nos primeiros cinco anos de vida da criança, graças a uma medida do município para aumentar a natalidade naquele concelho alentejano.

     "Queremos incentivar o nascimento de mais crianças para contrariar o declínio grave da natalidade que tem marcado a tendência demográfica do concelho na última década", explicou o presidente do município, Jorge Pulido Valente.

      De acordo com dados do Gabinete de Desenvolvimento Social da autarquia, no ano passado nasceram apenas 39 crianças no concelho de Mértola, contra os 51 nascimentos ocorridos em 1996.

      "A diminuição da natalidade é particularmente grave em algumas freguesias", frisou o autarca, apontando os casos de Espírito Santo, São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Sólis e São Sebastião dos Carros, onde "o nascimento de uma criança se tornou um acontecimento ocasional".

      Esta tendência, explicou o autarca, "é uma das consequências do envelhecimento e da baixa densidade da população", que considerou "um dos grandes problemas do concelho".

      Segundo dados do Censos de 2001, cerca de 32 por cento dos habitantes de Mértola (2.820 de um total de 8.712) são idosos com mais de 65 anos.

       Observando que "os encargos financeiros e sociais associados a uma segunda gravidez pesam na decisão das famílias", Jorge Pulido Valente explicou que a autarquia, "para aumentar a natalidade, vai incentivar os casais a optar por um segundo filho, oferecendo-lhes apoios financeiros".

       Ao contrário de outros incentivos municipais existentes em Portugal, que se "limitam a uma única prestação atribuída ao casal após o nascimento da criança", o apoio financeiro a conceder pelo município de Mértola, salientou o autarca, "será continuado".

       Através de um subsídio mensal variável e calculado a partir das despesas elegíveis apresentadas pelos agregados, frisou Jorge Pulido Valente, a autarquia "vai comparticipar várias despesas que os casais venham a ter com o segundo filho, durante os seus primeiros cinco anos de vida".

      Entre as despesas elegíveis, precisou o autarca, estão gastos com cuidados médicos (consultas e medicamentos ou próteses), bens básicos (fraldas descartáveis e leite em pó) ou educação (infantários ou amas licenciadas pela Segurança Social).

      Os apoios destinam-se a casais residentes e recenseados no concelho de Mértola, pelo menos um ano antes do nascimento da criança, e cujo rendimento "per capita" do agregado familiar não ultrapasse 150 por cento do salário mínimo nacional.

      Os subsídios mensais atribuídos aos casais são válidos pelo período de um ano, a partir da data de aprovação do processo de candidatura, podendo ser renovados todos os anos, por igual período, até que a criança complete cinco anos de idade.

       Depois de aprovada na última semana pelo executivo camarário, a medida, segundo Jorge Pulido Valente, "vai entrar em vigor logo após a aprovação do Regulamento de Apoio ao Segundo Filho pela Assembleia Municipal", o que deverá acontecer a 24 de Abril.

       Para tentar combater a perda de população, além desta medida, a autarquia de Mértola criou, por exemplo, o cartão social do munícipe, com um conjunto de vantagens, nomeadamente apoios à habitação, ajudas económicos na área da educação, como atribuição de bolsas de estudo.
 

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