 |
As adegas cooperativas do
Alentejo contratam anualmente seguros de colheitas para os seus
associados, apesar dos riscos de catástrofes naturais serem
inferiores a outras regiões vitícolas do país, segundo
responsáveis do sector.
O presidente da Comissão Vitivinícola Regional
Alentejana (CVRA), Joaquim Madeira, disse que as cooperativas
tomam a seu cargo o seguro de colheitas para os seus filiados,
enquanto os produtores privados da região contratam o seu, em
termos individuais.
Uma opção diferente da Região dos Vinhos Verdes,
em que a respectiva comissão de viticultura (CVRVV) contratou um
seguro de colheitas para os 35 mil produtores locais que garante
16 cêntimos por cada quilo de uva perdido em catástrofes
naturais.
A CVRVV diz que se trata do maior seguro agrícola
do país, que cobre mais de 250 mil parcelas de vinha e uma
produção de uva valorizada em mais de 16 milhões de euros, sem
qualquer custo para os produtores.
No caso do Alentejo, que abrange oito
sub-regiões vitivinícolas e uma produção anual superior a 90
milhões de litros de vinho, são as cooperativas e produtores
privados que contratam os seguros de colheitas para fazer face a
prejuízos causados por catástrofes naturais, como granizo,
geadas e trombas de água.
Uma precaução tomada, apesar dos riscos de
uma catástrofe atingir as vinhas da região serem menores do que
noutras zonas do país, explicou Tiago Caravana, técnico da CVRA.
"As condições climatéricas são mais estáveis no
Alentejo", justificou o mesmo técnico.
Durante a época das vindimas no Alentejo, em
Agosto e Setembro, "é muito raro chover e as temperaturas altas
são propícias para a maturação da uvas", observou.
O Alentejo abrange as sub-regiões vitivinícolas
de Portalegre, Borba, Redondo, Reguengos, Vidigueira, Moura,
Évora e Granja/Amarela.
Nos últimos 20 anos, a área de vinha no Alentejo
passou dos 11 mil hectares para quase 23 mil, enquanto a
produção aumentou, no mesmo período, de 30 milhões de litros
para mais de 90 milhões, 65 por cento dos quais tinto.
Uma das principais cooperativas alentejanas é a
de Reguengos de Monsaraz (CARMIM), que representa cerca de 550
associados e uma área total de vinha na ordem dos 3.400
hectares.
Joaquim Murteira, presidente da CARMIM, confirmou
que a cooperativa toma a seu cargo o seguro de colheitas de
todos os seus associados, com uma produção anual de 20 milhões
de quilos de uva.
O valor do seguro é pago, indirectamente, pelos
associados, depois de incluído no montante global das despesas.
|
 |