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Autarquia demoliu barracas em loteamento clandestino Poceirão

18/04/07

 

      A Câmara de Palmela procedeu hoje à demolição de vedações e barracas clandestinas em nove fracções de terrenos de um loteamento ilegal, detectado há cerca de cinco anos pela fiscalização, numa zona agro-florestal da Lagoa do Calvo, no Poceirão.

     Cerca das 9:30, técnicos e funcionários da autarquia, acompanhados por um dispositivo de segurança da GNR, abordaram os proprietários de algumas das 92 fracções do terreno que não cumpriram à notificação para procederem à demolição das construções clandestinas.

      Segundo a arquitecta Isabel Almeida, chefe de Divisão de Loteamentos da Câmara Municipal de Palmela, o loteamento ilegal foi detectado em 2002, tendo-se iniciado de imediato o processo que hoje culminou com a demolição de cinco barracas e de vedações ilegais.

      Por sua vez, o arquitecto Jorge Moura, director de Departamento de Administração Urbanística da Câmara de Palmela, lembrou que a "co- propriedade é possível para fins agrícolas, mas não pode servir para dividir materialmente a propriedade e para fins urbanísticos".

     Graciano Pedreira, natural da Beira Alta mas residente em Lisboa, proprietário de uma fracção do terreno, deixou transparecer algum conformismo quando os funcionários da autarquia mandaram retirar todos os haveres do interior da barraca que iria ser demolida.

     Enquanto procediam às demolições, os funcionários da Câmara de Palmela detectaram uma placa de uma empresa imobiliária - PREDIEME - que anunciava a venda de terrenos no loteamento clandestino da Lagoa do Calvo, facto que poderá vir a ser comunicado ao Ministério Público, depois de analisado pelos serviços jurídicos da autarquia.

      Desde 2003, a Câmara de Palmela avançou com um total de 67 acções judiciais, relativas a centenas de escrituras, com o objectivo de conseguir a anulação de diversos negócios jurídicos conducentes à divisão ilícita das propriedades (vendas em avos), tendo obtido 66 sentenças favoráveis, estando uma ainda por decidir.

    Nos últimos anos, a câmara de Palmela tem sido confrontada com uma nova forma de encobrir os loteamentos clandestinos através da compra de terrenos de vários hectares por única empresa.

     A venda de fracções é posteriormente efectuada, não em avos indivisos com antigamente, mas através a decência de quotas, que supostamente correspondem a fracções do terreno da referida empresa proprietária.
 

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