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Municípios CDU de Évora vão reformular projecto de cariz intermunicipal

19/04/07

 

      Cinco municípios comunistas do distrito de Évora, envolvidos numa candidatura para o saneamento e abastecimento de água em alta em 23 concelhos, rejeitada por Bruxelas, vão reformular o projecto, mas mantendo o seu carácter intermunicipal.

      A decisão das cinco câmaras municipais, que constituem a Associação de Municípios do Alto Alentejo para o Ambiente (AMAMB), foi hoje divulgada em conferência de imprensa, realizada junto à Barragem dos Minutos, em Montemor-o-Novo.

       Carlos Pinto de Sá, presidente do município local e da AMAMB, defendeu que a água "é um bem público" e "não pode ser privatizada", pelo que as autarquias recusam promover um projecto em que a sua gestão seja "entregue a uma empresa", neste caso as Águas de Portugal, nos sistemas de cariz multimunicipal.

      "Decidimos reformular a nossa candidatura, insistindo no sistema intermunicipal, e, seja qual for o panorama, não iremos aderir a qualquer sistema multimunicipal, a não ser que tal nos seja imposto por lei", afirmou.

      As câmaras de Montemor-o-Novo, Vendas Novas, Mora, Arraiolos e Vila Viçosa, acrescentou o autarca, irão, pois, apresentar o projecto intermunicipal reformulado junto da Comissão Europeia, para apoios comunitários, e não irão "permitir a privatização da água" a transformação desta "num negócio".

      Lançada em 2001 e enviada para Bruxelas em 2005, a candidatura intermunicipal para o saneamento e abastecimento da água em alta (das captações aos depósitos) envolvia quatro associações de municípios, do Litoral Alentejano, Beja, Alentejo Central e Alto Alentejo, num total de 23 municípios.

      Ao longo dos anos, os promotores queixaram-se dos "entraves" colocados ao projecto pelos sucessivos governos, por ter carácter intermunicipal (sem participação da "holding" estatal Águas de Portugal), até que, no início deste ano, Bruxelas rejeitou a candidatura.

     Acusando os vários governos de terem "boicotado" o projecto, para fazer com que os municípios alentejanos abandonassem a ideia da gestão pública da água, Carlos Pinto de Sá frisou que a rejeição da candidatura "nada teve que ver com questões técnicas", mas sim "políticas".

      "O que levou a que fossem desviados do Alentejo os 98 milhões de euros (previstos na candidatura), entregues à Águas de Portugal para Trás-os-Montes e Minho, quando já poderiam ter sido resolvidos os problemas de abastecimento de água nesta região", acusou, frisando que, caso a nova candidatura volte a ser chumbada "será, mais uma vez, um processo político".

      Questionado sobre o "timing" da conferência de imprensa de hoje, visto que a rejeição da candidatura já é conhecida desde Janeiro, Pinto de Sá explicou que, antes de ter sido decidida a reformulação do projecto, todos os municípios das quatro associações tinham que ser ouvidos.

      "Este era o momento adequado porque as posições estão claras.

      As câmaras do PS, nomeadamente as de Beja, assumiram já que vão aderir aos sistemas multimunicipais", explicou, garantindo que, agora, após a "assumpção dessa ruptura, cada um segue o seu caminho".

      Mas, segundo o autarca, está demonstrado que os sistemas multimunicipais "são impagáveis, sobretudo no interior do país", onde há pouca população, o que exigiria que "a tarifa da água aumentasse três vezes".

       As autarquias da AMAMB já estão a trabalhar na reformulação do projecto intermunicipal, embora a candidatura tenha que aguardar pela regulamentação do Quadro de Referência Estratégico Nacional, e não descartam a hipótese de encontrar um parceiro para o sistema, nomeadamente estrangeiro.

      "Temos contactos com várias empresas interessadas", disse, frisando que a Águas de Portugal até poderia ser o parceiro privilegiado, desde que aceitasse ter apenas 49 por cento do capital da empresa gestora do sistema, ao invés de pretender 51 por cento.

     "Não temos nada contra a Águas de Portugal e já propusemos que integrasse o sistema intermunicipal. Mas os sucessivos governos proibiram a empresa de o fazer, a não ser que ficasse com a maioria do capital. Essa solução não aceitamos", frisou.
 

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