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Haxixe apreendido no Alentejo é mais de metade do confiscado em 2006

16/05/07

 

      As cinco toneladas de haxixe apreendidas segunda-feira no Alentejo equivalem a mais de metade do total daquele tipo de estupefaciente confiscado durante o ano passado em Portugal, que atingiu oito toneladas.
      A apreensão realizada em Almodôvar e Grândola foi o culminar de três meses de investigação e vigilância a pessoas referenciadas e suspeitas de tráfico de estupefacientes, adiantou o director do departamento da Polícia Judiciária (DCITE) encarregue do combate ao tráfico de droga, José Braz.

      A valores de mercado em Portugal, o haxixe apreendido valeria quase 50 milhões de euros.

      Na operação "Pássaros do Sul" foram detidas três pessoas - dois britânicos e um irlandês - na estação de serviço da auto-estrada para o Algarve em Almodôvar, os quais, aparentemente, seguiam para o Sul de Espanha, onde residiam.

       Após a intercepção da carrinha alugada e da viatura ligeira onde seguiam os três, os elementos da Polícia Judiciária (PJ) verificaram que no interior do primeiro veículo estavam 76 fardos de haxixe, com um peso total de 2.506 quilogramas.

       José Braz contou que as duas viaturas estavam a ser seguidas pela Polícia desde que saíram de um armazém próximo de Grândola, a mais de uma centena de quilómetros do local onde decorreu a intercepção, quando os inspectores concluíram que o destino seria Espanha.

       Posteriormente, os elementos da PJ voltaram ao armazém de Grândola, que já mantinham sob vigilância, e encontraram lá outros 76 fardos de haxixe, com o peso total de 2.465 quilogramas.

      O proprietário do armazém, segundo a PJ, desconhecia o fim que estava a ser dado ao espaço pelos inquilinos, pelo que é considerado "inocente" em todo este processo, disse José Braz.

     De acordo com a investigação realizada e os elementos reunidos, o responsável da PJ afirma que a droga, aparentemente vinda de Marrocos, se destinava toda a sair de Portugal, nomeadamente para o Reino Unido.

      Esta grande apreensão de haxixe - a maior do ano até agora e uma das mais significativas realizadas em Portugal - indica, ainda segundo José Braz, que o país continua a ser "porta de entrada" de droga na Europa.

     Aparentemente, este haxixe que a Polícia Judiciária hoje exibiu nas suas instalações em Lisboa terá chegado a Portugal por via marítima ou terrestre, vindo de Marrocos, disse o responsável da DCITE.

      Contudo, José Braz manifestou-se preocupado com outra forma possível de entrada de droga no país: por via aérea, em pequenas aeronaves que voam de Marrocos para pequenos aeródromos e locais rudimentares de aterragem em Portugal que não dispõem de qualquer controlo.

     Em relação ao menor número de apreensões de haxixe em 2007, o director da DCITE afirmou que é devido à maior logística necessária para o tráfico desta droga leve.

     Os traficantes estão a abandonar o haxixe e a dedicar-se a outro tipo de drogas, em porções mais pequenas, mas com maior lucro.

      Outra preocupação da PJ é o mercado das drogas químicas (ecstasy), porque é novo, está em expansão e a logística para traficar é mais simples, além de ser facilitado por ser fabricado na Europa.
 

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