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As cinco toneladas de haxixe
apreendidas segunda-feira no Alentejo equivalem a mais de metade
do total daquele tipo de estupefaciente confiscado durante o ano
passado em Portugal, que atingiu oito toneladas.
A apreensão realizada em Almodôvar e Grândola foi
o culminar de três meses de investigação e vigilância a pessoas
referenciadas e suspeitas de tráfico de estupefacientes,
adiantou o director do departamento da Polícia Judiciária (DCITE)
encarregue do combate ao tráfico de droga, José Braz.
A valores de mercado em Portugal, o haxixe
apreendido valeria quase 50 milhões de euros.
Na operação "Pássaros do Sul" foram detidas três
pessoas - dois britânicos e um irlandês - na estação de serviço
da auto-estrada para o Algarve em Almodôvar, os quais,
aparentemente, seguiam para o Sul de Espanha, onde residiam.
Após a intercepção da carrinha alugada e da
viatura ligeira onde seguiam os três, os elementos da Polícia
Judiciária (PJ) verificaram que no interior do primeiro veículo
estavam 76 fardos de haxixe, com um peso total de 2.506
quilogramas.
José Braz contou que as duas viaturas
estavam a ser seguidas pela Polícia desde que saíram de um
armazém próximo de Grândola, a mais de uma centena de
quilómetros do local onde decorreu a intercepção, quando os
inspectores concluíram que o destino seria Espanha.
Posteriormente, os elementos da PJ voltaram
ao armazém de Grândola, que já mantinham sob vigilância, e
encontraram lá outros 76 fardos de haxixe, com o peso total de
2.465 quilogramas.
O proprietário do armazém, segundo a PJ,
desconhecia o fim que estava a ser dado ao espaço pelos
inquilinos, pelo que é considerado "inocente" em todo este
processo, disse José Braz.
De acordo com a investigação realizada e os elementos
reunidos, o responsável da PJ afirma que a droga, aparentemente
vinda de Marrocos, se destinava toda a sair de Portugal,
nomeadamente para o Reino Unido.
Esta grande apreensão de haxixe - a maior do ano
até agora e uma das mais significativas realizadas em Portugal -
indica, ainda segundo José Braz, que o país continua a ser
"porta de entrada" de droga na Europa.
Aparentemente, este haxixe que a Polícia Judiciária
hoje exibiu nas suas instalações em Lisboa terá chegado a
Portugal por via marítima ou terrestre, vindo de Marrocos, disse
o responsável da DCITE.
Contudo, José Braz manifestou-se preocupado com
outra forma possível de entrada de droga no país: por via aérea,
em pequenas aeronaves que voam de Marrocos para pequenos
aeródromos e locais rudimentares de aterragem em Portugal que
não dispõem de qualquer controlo.
Em relação ao menor número de apreensões de haxixe em
2007, o director da DCITE afirmou que é devido à maior logística
necessária para o tráfico desta droga leve.
Os traficantes estão a abandonar o haxixe e a
dedicar-se a outro tipo de drogas, em porções mais pequenas, mas
com maior lucro.
Outra preocupação da PJ é o mercado das drogas
químicas (ecstasy), porque é novo, está em expansão e a
logística para traficar é mais simples, além de ser facilitado
por ser fabricado na Europa.
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