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O primeiro-ministro, José
Sócrates, foi ontem vaiado à chegada a Setúbal para a cerimónia
do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Os
apupos dos populares, na Av. Jaime Rebelo, tinham por alvo o
ministro das Obras Públicas, Mário Lino, por ter comparado a
Margem Sul a um deserto.
A população de Setúbal não gostou das declarações que
Mário Lino proferiu a 23 de Maio na Ordem dos Ecomonistas e,
perante a sua ausência na tribuna de honra da parada militar,
coube ao primeiro-ministro ouvir o desagrado da população,
manifestado por assobios e palavras associadas a aeroportos e
desertos com areia, camelos, sede e aviões.
Só duas horas depois o ministro das Obras
Públicas chegou a Setúbal. O carro levou-o até junto do edifício
e assim o ministro não teve de enfrentar a população da Margem
Sul. No final da cerimónia de imposição solene das insígnias
acedeu responder rapidamente a algumas, poucas, questões,
desculpando-se com a necessidade de estar presente no almoço
oferecido pela presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores
Meira.
Aos jornalistas, Mário Lino voltou a recusar fazer um
pedido de desculpas à população do distrito de Setúbal por ter
classificado a Margem Sul como um deserto impróprio para acolher
um aeroporto, por não considerar que tivesse a intenção de
insultar, nem de magoar, nem de minimizar ninguém.
Entretanto em relação à cerimónia, Abílio
Fernandes foi uma das figuras na lista das personalidades
distinguidas pelo Presidente da República, ontem, Dia de
Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O
ex-presidente da Câmara de Évora recebeu o título de Grande
Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
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