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Uma senhora de 51 anos, residente
no Bairro Vasco Gonçalves em Vendas Novas morreu ontem a caminho
do Hospital de Évora devido a paragem cardio-respiratória. Os
bombeiros, obrigados por ordens superiores a transporta-la para
esta unidade, a 52 quilómetros, tentaram várias manobras de
reanimação mas Maria José Mesquita entrou cadáver no hospital,
uma hora após ter sido dado o alerta.
Em declarações ao Correio da Manhã, a
família revoltada, culpa os políticos.
“Podia ter sobrevivido se as Urgências não tivessem sido
encerradas, porque aqui era medicada e faziam-lhe massagens de
reanimação. A política matou a minha mulher”, disse o viúvo
António Mesquita.
Maria José, que deixa quatro filhas, uma
delas com oito anos, estava feliz por lhe ter sido dada
autorização na segunda-feira para se aposentar. Em 2001, teve um
enfarte e, mais tarde, foram-lhe diagnosticados diabetes e
hipertensão.
Ontem, segundo a filha Sónia Isabel, foi
levar a filha mais nova à escola e, antes de ir para casa, no
Bairro Vasco Gonçalves, bebeu um galão num café. Perto das
10h00, quando estava sozinha em casa, começou a sentir-se
indisposta e foi para a porta pedir auxílio. Como a equipa do
INEM de Évora estava na altura a prestar apoio a uma mulher em
Montemor-o-Novo, que sofrera um acidente vascular cerebral, os
bombeiros de Vendas Novas foram autorizados, pelas 09h58, a
prestar socorro à vitima. Maria José foi transportada para
Évora, onde deu entrada cadáver pelas 10h54.
“Foi a lutar pela vida e a equipa de três
bombeiros, todos com curso do INEM, fizeram tudo para a salvar.
A viagem, de 40 minutos, foi mais rápida porque contámos com a
ajuda da BT”, disse o comandante José Verdelho, que também
condena o fecho das Urgências. “Há semanas transportámos um
homem nas mesmas condições ao SAP e hoje está vivo pois recebeu
assistência médica.”
Questionado o inisitro Correia de Campos sobre o
caso da morte da mulher de Vendas Novas, escusou-se a fazer
“qualquer comentário” alegando “desconhecer” a situação. No
entanto, lembrou que os SAP só têm um médico de serviço e se
estivesse a funcionar não havia garantias de que a vítima não
morreria. Sobre a decisão do tribunal, que ordenou a reabertura
do SAP daquela cidade, Correia de Campos disse em Viseu que o
Ministério da Saúde vai, “como sempre”, respeitar as decisões
judiciais. “
O ministério teve cinco dias para fazer o
contraditório à decisão judicial. Entregámo-lo ontem
[segunda-feira] e vamos aguardar”, adiantou.
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