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Vendasnovense morre a caminho de Évora

13/06/07

 

      Uma senhora de 51 anos, residente no Bairro Vasco Gonçalves em Vendas Novas morreu ontem a caminho do Hospital de Évora devido a paragem cardio-respiratória. Os bombeiros, obrigados por ordens superiores a transporta-la para esta unidade, a 52 quilómetros, tentaram várias manobras de reanimação mas Maria José Mesquita entrou cadáver no hospital, uma hora após ter sido dado o alerta.

       Em declarações ao Correio da Manhã, a família revoltada, culpa os políticos.
“Podia ter sobrevivido se as Urgências não tivessem sido encerradas, porque aqui era medicada e faziam-lhe massagens de reanimação. A política matou a minha mulher”, disse o viúvo António Mesquita.

       Maria José, que deixa quatro filhas, uma delas com oito anos, estava feliz por lhe ter sido dada autorização na segunda-feira para se aposentar. Em 2001, teve um enfarte e, mais tarde, foram-lhe diagnosticados diabetes e hipertensão.

       Ontem, segundo a filha Sónia Isabel, foi levar a filha mais nova à escola e, antes de ir para casa, no Bairro Vasco Gonçalves, bebeu um galão num café. Perto das 10h00, quando estava sozinha em casa, começou a sentir-se indisposta e foi para a porta pedir auxílio. Como a equipa do INEM de Évora estava na altura a prestar apoio a uma mulher em Montemor-o-Novo, que sofrera um acidente vascular cerebral, os bombeiros de Vendas Novas foram autorizados, pelas 09h58, a prestar socorro à vitima. Maria José foi transportada para Évora, onde deu entrada cadáver pelas 10h54.

      “Foi a lutar pela vida e a equipa de três bombeiros, todos com curso do INEM, fizeram tudo para a salvar. A viagem, de 40 minutos, foi mais rápida porque contámos com a ajuda da BT”, disse o comandante José Verdelho, que também condena o fecho das Urgências. “Há semanas transportámos um homem nas mesmas condições ao SAP e hoje está vivo pois recebeu assistência médica.”

      Questionado o inisitro Correia de Campos sobre o caso da morte da mulher de Vendas Novas, escusou-se a fazer “qualquer comentário” alegando “desconhecer” a situação. No entanto, lembrou que os SAP só têm um médico de serviço e se estivesse a funcionar não havia garantias de que a vítima não morreria. Sobre a decisão do tribunal, que ordenou a reabertura do SAP daquela cidade, Correia de Campos disse em Viseu que o Ministério da Saúde vai, “como sempre”, respeitar as decisões judiciais. “
      O ministério teve cinco dias para fazer o contraditório à decisão judicial. Entregámo-lo ontem [segunda-feira] e vamos aguardar”, adiantou.
 

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