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Autarca de Vendas Novas culpa ministro

14/06/07

 

      O presidente da Câmara Municipal de Vendas Novas, José Figueira, responsabilizou ontem o ministro da Saúde e os responsáveis da Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARSA) pela morte de Maria José Mesquita, vítima de paragem cardio-respiratória na terça-feira, quando seguia numa ambulância a caminho do Hospital de Évora.

     O autarca considera que o falecimento da mulher de 51 anos deveu-se “à falta de assistência médica” causada pelo encerramento das urgências no Centro de Saúde de Vendas Novas.

      “A atitude autista, a cegueira e a prepotência do ministro e do Governo levaram à morte de uma munícipe residente a 500 metros das urgências do Centro de Saúde que o Governo encerrou em Maio e que devia ter reaberto no passado dia 5 de Junho por ordem do Tribunal Administrativo de Beja, na sequência de uma providência cautelar interposta pela Câmara”, disse o autarca, que poderá ser alvo de um processo judicial da ARSA.

      O autarca eleito pela CDU avisou ainda o Governo de que não pode continuar a desrespeitar uma ordem judicial sob pena de ocorrerem casos semelhantes. “O departamento jurídico da edilidade está a ponderar recorrer de novo aos tribunais para obrigar o Governo a reabrir as urgências”, acrescentou José Figueira, que enviou ontem ao Presidente da República, Cavaco Silva, e aos restantes órgãos de soberania um fax a alertar para a “recusa” do Governo em cumprir as decisões do tribunal.

      Maria José Mesquita, que deixa quatro filhas, uma das quais menor, foi transportada para o Hospital de Évora pelos Bombeiros de Vendas Novas e não pela equipa do INEM deste distrito, que na altura socorria uma mulher em Montemor-o-Novo, vítima de um AVC. O alerta foi dado às 09h58 e a falecida, que sofria de problemas cardíacos, hipertensão e diabetes, entrou já cadáver uma hora depois no Hospital de Évora. Ao longo da viagem de 52 quilómetros, os bombeiros fazem várias manobras de reanimação sem sucesso.

     “Quando saiu de casa a minha mãe ainda respirava”, disse a filha Sónia Isabel. O relatório clínico, assinado por uma médica espanhola que recebeu a vítima em Évora, refere que Maria José entrou “cadáver pelas 10h54” depois de “30 minutos” de manobras de reanimação.
 

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