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O presidente da Câmara Municipal
de Vendas Novas, José Figueira, responsabilizou ontem o ministro
da Saúde e os responsáveis da Administração Regional de Saúde do
Alentejo (ARSA) pela morte de Maria José Mesquita, vítima de
paragem cardio-respiratória na terça-feira, quando seguia numa
ambulância a caminho do Hospital de Évora.
O autarca considera que o falecimento da mulher de 51
anos deveu-se “à falta de assistência médica” causada pelo
encerramento das urgências no Centro de Saúde de Vendas Novas.
“A atitude autista, a cegueira e a prepotência do
ministro e do Governo levaram à morte de uma munícipe residente
a 500 metros das urgências do Centro de Saúde que o Governo
encerrou em Maio e que devia ter reaberto no passado dia 5 de
Junho por ordem do Tribunal Administrativo de Beja, na sequência
de uma providência cautelar interposta pela Câmara”, disse o
autarca, que poderá ser alvo de um processo judicial da ARSA.
O autarca eleito pela CDU avisou ainda o Governo
de que não pode continuar a desrespeitar uma ordem judicial sob
pena de ocorrerem casos semelhantes. “O departamento jurídico da
edilidade está a ponderar recorrer de novo aos tribunais para
obrigar o Governo a reabrir as urgências”, acrescentou José
Figueira, que enviou ontem ao Presidente da República, Cavaco
Silva, e aos restantes órgãos de soberania um fax a alertar para
a “recusa” do Governo em cumprir as decisões do tribunal.
Maria José Mesquita, que deixa quatro filhas, uma
das quais menor, foi transportada para o Hospital de Évora pelos
Bombeiros de Vendas Novas e não pela equipa do INEM deste
distrito, que na altura socorria uma mulher em Montemor-o-Novo,
vítima de um AVC. O alerta foi dado às 09h58 e a falecida, que
sofria de problemas cardíacos, hipertensão e diabetes, entrou já
cadáver uma hora depois no Hospital de Évora. Ao longo da viagem
de 52 quilómetros, os bombeiros fazem várias manobras de
reanimação sem sucesso.
“Quando saiu de casa a minha mãe ainda respirava”,
disse a filha Sónia Isabel. O relatório clínico, assinado por
uma médica espanhola que recebeu a vítima em Évora, refere que
Maria José entrou “cadáver pelas 10h54” depois de “30 minutos”
de manobras de reanimação.
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