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Todos os obstetras do Hospital de
Évora invocaram o estatuto de objector de consciência e vão
escusar-se a praticar abortos, uma situação que irá obrigar a
unidade a encaminhar as mulheres do distrito para Beja e
Portalegre.
A totalidade dos dez especialistas do serviço de Ginecologia e
Obstetrícia invocaram o estatuto, «pelo que não será realizada a
interrupção voluntária da gravidez (IGV) no Hospital do Espírito
Santo de Évora».
Para contornar a inviabilização da nova lei do aborto no hospital
de Évora, a Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARSA)
já assinou protocolos entre o hospital e os centros de saúde de
Évora e os hospitais dos distritos vizinhos de Beja e
Portalegre.
Os protocolos prevêem o encaminhamento dos pedidos de aborto que
entrarem nos centros de saúde e no hospital de Évora para os
hospitais de Beja e Portalegre, que «vão assegurar, num primeiro
período, as IVG de mulheres daquele distrito».
«De momento, temos o assunto resolvido», garantiu Conceição
Margalha, admitindo que a ARSA, no futuro, poderá ter que
«equacionar outras soluções, se necessário».
O recurso a clínicas privadas fora do Alentejo, onde não há
nenhuma com licença para realizar IVG, foi uma das soluções
alternativas admitidas por Conceição Margalha.
A ARSA, acrescentou a responsável, dividiu o distrito de Évora em
duas partes, sendo que os pedidos de IGV provenientes de sete
concelhos serão direccionados para Beja e os restantes sete para
Portalegre.
«Temos as coisas organizadas para que não haja falhas no
encaminhamento das mulheres e no cumprimento dos prazos», frisou
Conceição Margalha, adiantando que os protocolos com as unidades
de saúde de Beja e Portalegre «serão sujeitos a revisões, de
acordo com as situações de serviço e com o evoluir do processo».
O protocolo em relação ao encaminhamento das grávidas para Beja
será revisto dentro de um mês, enquanto o de Portalegre será
dentro de três meses.
No Hospital de Beja, mais de metade dos obstetras, cinco de um
total de nove, invocaram o estatuto de objector de consciência e
também vão escusar-se a praticar IVG.
No hospital de Portalegre, apenas um dos quatro obstetras invocou o
estatuto de objector de consciência, um número que, segundo a
unidade de saúde, «não vai condicionar o cumprimento da nova
lei», que entra em vigor no próximo domingo.
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