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Évora sem obstetras para realizar abortos

13/07/07

 

 

      Todos os obstetras do Hospital de Évora invocaram o estatuto de objector de consciência e vão escusar-se a praticar abortos, uma situação que irá obrigar a unidade a encaminhar as mulheres do distrito para Beja e Portalegre.

   A totalidade dos dez especialistas do serviço de Ginecologia e Obstetrícia invocaram o estatuto, «pelo que não será realizada a interrupção voluntária da gravidez (IGV) no Hospital do Espírito Santo de Évora».

   Para contornar a inviabilização da nova lei do aborto no hospital de Évora, a Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARSA) já assinou protocolos entre o hospital e os centros de saúde de Évora e os hospitais dos distritos vizinhos de Beja e Portalegre.

   Os protocolos prevêem o encaminhamento dos pedidos de aborto que entrarem nos centros de saúde e no hospital de Évora para os hospitais de Beja e Portalegre, que «vão assegurar, num primeiro período, as IVG de mulheres daquele distrito».

   «De momento, temos o assunto resolvido», garantiu Conceição Margalha, admitindo que a ARSA, no futuro, poderá ter que «equacionar outras soluções, se necessário».

    O recurso a clínicas privadas fora do Alentejo, onde não há nenhuma com licença para realizar IVG, foi uma das soluções alternativas admitidas por Conceição Margalha.

   A ARSA, acrescentou a responsável, dividiu o distrito de Évora em duas partes, sendo que os pedidos de IGV provenientes de sete concelhos serão direccionados para Beja e os restantes sete para Portalegre.

   «Temos as coisas organizadas para que não haja falhas no encaminhamento das mulheres e no cumprimento dos prazos», frisou Conceição Margalha, adiantando que os protocolos com as unidades de saúde de Beja e Portalegre «serão sujeitos a revisões, de acordo com as situações de serviço e com o evoluir do processo».

   O protocolo em relação ao encaminhamento das grávidas para Beja será revisto dentro de um mês, enquanto o de Portalegre será dentro de três meses.

   No Hospital de Beja, mais de metade dos obstetras, cinco de um total de nove, invocaram o estatuto de objector de consciência e também vão escusar-se a praticar IVG.

   No hospital de Portalegre, apenas um dos quatro obstetras invocou o estatuto de objector de consciência, um número que, segundo a unidade de saúde, «não vai condicionar o cumprimento da nova lei», que entra em vigor no próximo domingo.
 

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