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O ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano
Teixeira, destacou ontem o carácter “estruturante” do projecto
que a empresa brasileira de aeronáutica Embraer vai concretizar
em Évora, afirmando-se convicto que constituirá a base para o
desenvolvimento de um cluster aeronáutico.
Nuno Severiano Teixeira, falava após a assinatura de acordos para a
instalação de duas unidades fabris junto do Aeródromo Municipal
de Évora.
A brasileira Embraer, a terceira maior empresa mundial de fabrico
de aeronaves, vai instalar em Évora uma unidade para fabrico de
estruturas metálicas (asas) e outra para produção de materiais
compósitos (caudas), num investimento inicial de 148 milhões de
euros e que recebe incentivos do governo português.
Os dois “centros de excelência”, como são classificados pela
Embraer, permitirão criar cerca e 570 postos de trabalho
directos e mais de mil indirectos.
Depois do acordo assinado sábado entre a empresa brasileira e o
governo português, foram ontem celebrados contratos relativos à
cedência de terrenos entre a Embraer e a Câmara Municipal de
Évora.
Numa cerimónia, no salão nobre dos Paços do Concelho de Évora, em
que também participou o coordenador do Plano Tecnológico, Carlos
Zorrinho, o ministro da Defesa Nacional testemunhou o
“significado político” que o governo português atribui a este
projecto, que classificou de “estruturante”.
“É importante que o cluster aeronáutico dê os primeiros passos na
cidade de Évora”, declarou Nuno Severiano Teixeira, manifestando
esperança que este projecto “possa dar um impulso” a novos
investimentos nacionais e estrangeiros no sector aeronáutico.O
ministro destacou ainda o “salto qualitativo” que o projecto
permite a Portugal dar, passando da manutenção aeronáutica para
a fabricação de componentes para aviões.
Satisfeito por receber o investimento brasileiro, o presidente da
Câmara Municipal de Évora, José Ernesto Oliveira, disse ser este
o “momento de esquecer os que teimam permanecer na postura de
Velhos do Restelo”.
Abrindo a “janela do futuro”, o autarca alentejano apontou o
“caminho do sucesso”, que passa, além da indústria aeronáutica,
por uma estação na ligação ferroviária de alta velocidade entre
Lisboa e Madrid, pela Universidade e pelo turismo de qualidade.
“O resultado disto tudo é o sucesso e a excelência”, afirmou José
Ernesto Oliveira, no “início de uma grande viagem” que torna
Évora na “capital da indústria aeronáutica” em Portugal.
A autarquia vai disponibilizar à empresa brasileira terrenos
a custos reduzidos, redução nas taxas e impostos municipais e
facilidade nas infra-estruturas.
Além de outros investimentos ligados ao sector aeronáutico,
nomeadamente numa unidade de helicópteros, para a cidade
alentejana está também previsto um outro projecto para a
construção de aviões, o Skylander, promovido pelo grupo francês
GECI Internacional.
O projecto do Skylander, da responsabilidade da Sky Aircraft
Industries, criada pela GECI em parceria com investidores
portugueses, envolve um investimento de mais de 100 milhões de
euros, incluindo a construção de uma fábrica também na zona do
aeródromo municipal de Évora.
A Sky Aircraft Industries prevê produzir 1.100 aviões, entre 2011 e
2027, estando o voo do primeiro protótipo previsto para finais
de 2009.
O projecto, que já reúne mais de 400 promessas de compra, muitas
delas para o Dubai, prevê criar 3.000 postos de trabalho, 900
directos e os restantes indirectos. |
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