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Edscha pediu insolvência, mas fábrica de Vendas Novas continua a laborar

05/02/09

 

 

    Na sequência das notícias divulgadas no início da semana sobre o pedido de insolvência apresentado pela empresa alemã Edsha, com filial em Vendas Novas, o presidente do município José Figueira reuniu na terça-feira, 3 de Dezembro, com o Eng. Jorge Pinto, administrador da empresa em Portugal, ficando a conhecer que a empresa pretende aproveitar o pacote de medidas que o governo colocou ao dispor para minimização do efeitos da crise, nomeadamente através procedimento de formação profissional no contexto de trabalho.

   O agravamento da situação deveu-se, segundo a empresa “a quebra acentuada de vendas nos últimos meses” que mesmo assim não foi tão grave na unidade de Vendas Novas, comparando com as restantes empresas do grupo espalhadas pela Europa.

   No global, segundo o mesmo fornecedor da indústria automóvel, a insolvência vai afectar perto de 4.200 trabalhadores, 2.300 dos quais na Alemanha e os restantes em vários países europeus, 180 na unidade alentejana.

   A Edscha - Sistemas Técnicos para Automóveis existe há cerca de oito anos, e produz vários componentes para a indústria automóvel, nomeadamente pedaleiras, toolkit's (onde se coloca macaco e chave das rodas) ou travões de mão. A produção da fábrica da Edscha em Vendas Novas, destina-se à Autoeuropa e à exportação, equipando 16 marcas automóveis diferentes, como a Iveco, Smart, Saab ou Renault.

   Eduardo Florindo do Sindicato Dos Trabalhadores Das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas do Sul disse à comunicação social que as expectativas não são muito positivas dada a nos últimos dois dias se ter registado deslocalização de alguma matéria-prima para outras unidades na Europa, o que não considera “um bom sinal”. Refere também que tem mantido reuniões com a administração e com os trabalhadores que estão expectantes confirmando que não tem faltado trabalho até ao momento e os ordenados se encontrarem em dia.

   Na reunião de Câmara de ontem foi comentado esse assunto, todos os intervenientes revelaram preocupação com a situação. O vereador do PS, João Luís, questionou o presidente se estava agendada algum pedido de reunião com os ministros, quer do Trabalho quer da Economia, a que o edil respondeu que preparam um pacote de reuniões com os empresários (a da EDSHA já aconteceu, foi antecipada) e depois, se necessário, será tomada essa medida.

   O vereador do PSD, Luís Braga, teme que a situação de desemprego no concelho fique bem acima dos 8% previstos a nível nacional (no pior dos cenários, na sua perspectiva, cerca de 18 a 20%), o que no seu entender “seria catastrófico para o concelho”, e como tal a merecer “uma atenção especial por parte do governo”.

   O gerente executivo da Sociedade do Parque Industrial de Vendas Novas, Afonso Alvito, considera que há uma grande falta de “confiança, quebra no consumo e quebra nas vendas criando o efeito dominó”, além dos bancos não estarem a libertar crédito, exortando a que se continuem a “comprar produtos para minimizar os efeitos da crise”.
Desde Novembro, o PIVN tem mantido “reuniões periódicas” com as empresas aí instaladas, para acompanhar as dificuldades causadas pela crise, assim como procura de soluções para situação actual.

   No final de 2008, no Parque Industrial de Vendas Novas, fecharam “duas empresas de preparação de cortiça e uma de rolhas”, assim como a TI Automotive, empresa do sector automóvel que já previa encerrar nessa altura. Entretanto perspectivam-se que sejam instaladas “duas micro-empresas” nos próximos tempos.

   Nos próximos dias aguardam-se mais desenvolvimentos.

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