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Na sequência das notícias divulgadas no início da semana sobre o
pedido de insolvência apresentado pela empresa alemã Edsha, com
filial em Vendas Novas, o presidente do município José Figueira
reuniu na terça-feira, 3 de Dezembro, com o Eng. Jorge Pinto,
administrador da empresa em Portugal, ficando a conhecer que a
empresa pretende aproveitar o pacote de medidas que o governo
colocou ao dispor para minimização do efeitos da crise,
nomeadamente através procedimento de formação profissional no
contexto de trabalho.
O agravamento da situação deveu-se, segundo a empresa “a quebra
acentuada de vendas nos últimos meses” que mesmo assim não foi
tão grave na unidade de Vendas Novas, comparando com as
restantes empresas do grupo espalhadas pela Europa.
No global, segundo o mesmo fornecedor da indústria automóvel, a
insolvência vai afectar perto de 4.200 trabalhadores, 2.300 dos
quais na Alemanha e os restantes em vários países europeus, 180
na unidade alentejana.
A Edscha - Sistemas Técnicos para Automóveis existe há cerca de
oito anos, e produz vários componentes para a indústria
automóvel, nomeadamente pedaleiras, toolkit's (onde se coloca
macaco e chave das rodas) ou travões de mão. A produção da
fábrica da Edscha em Vendas Novas, destina-se à Autoeuropa e à
exportação, equipando 16 marcas automóveis diferentes, como a
Iveco, Smart, Saab ou Renault.
Eduardo Florindo do Sindicato Dos Trabalhadores Das Indústrias
Metalúrgicas e Metalomecânicas do Sul disse à comunicação social
que as expectativas não são muito positivas dada a nos últimos
dois dias se ter registado deslocalização de alguma
matéria-prima para outras unidades na Europa, o que não
considera “um bom sinal”. Refere também que tem mantido reuniões
com a administração e com os trabalhadores que estão expectantes
confirmando que não tem faltado trabalho até ao momento e os
ordenados se encontrarem em dia.
Na reunião de Câmara de ontem foi comentado esse assunto, todos os
intervenientes revelaram preocupação com a situação. O vereador
do PS, João Luís, questionou o presidente se estava agendada
algum pedido de reunião com os ministros, quer do Trabalho quer
da Economia, a que o edil respondeu que preparam um pacote de
reuniões com os empresários (a da EDSHA já aconteceu, foi
antecipada) e depois, se necessário, será tomada essa medida.
O vereador do PSD, Luís Braga, teme que a situação de desemprego no
concelho fique bem acima dos 8% previstos a nível nacional (no
pior dos cenários, na sua perspectiva, cerca de 18 a 20%), o que
no seu entender “seria catastrófico para o concelho”, e como tal
a merecer “uma atenção especial por parte do governo”.
O gerente executivo da Sociedade do Parque Industrial de Vendas
Novas, Afonso Alvito, considera que há uma grande falta de
“confiança, quebra no consumo e quebra nas vendas criando o
efeito dominó”, além dos bancos não estarem a libertar crédito,
exortando a que se continuem a “comprar produtos para minimizar
os efeitos da crise”.
Desde Novembro, o PIVN tem mantido “reuniões periódicas” com as
empresas aí instaladas, para acompanhar as dificuldades causadas
pela crise, assim como procura de soluções para situação actual.
No final de 2008, no Parque Industrial de Vendas Novas, fecharam
“duas empresas de preparação de cortiça e uma de rolhas”, assim
como a TI Automotive, empresa do sector automóvel que já previa
encerrar nessa altura. Entretanto perspectivam-se que sejam
instaladas “duas micro-empresas” nos próximos tempos.
Nos próximos dias aguardam-se mais desenvolvimentos. |
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